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09/02/2009

UNIÃO IBÉRICA, DO PONTO DE VISTA DE UM PLEBEU

Lisboa, 16 DE MARÇO DE 1581

Querido diário:
Hoje é um dia histórico, pois o rei de Espanha D. Filipe II, foi aclamado D. Filipe I de Portugal, nas Cortes de Tomar.
Com certeza que deves querer saber como tudo isto aconteceu. É uma longa história mas eu tenho tempo, sou eu que estou a escrever.
Ora bem, tudo começou com D. Sebastião. O reino estava em crise e o jovem rei teve a infeliz ideia de tentar conquistar Marrocos. Disse infeliz pois Portugal não tinha população para entrar numa batalha deste género. Na Batalha de Alcácer Quibir, em 1578, muitos velhos e jovens são mortos em combate juntamente com o rei, que muito novo para andar na conquista de mulheres não deixou descendentes. Nisto quem sobe ao trono é o seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, que já velhote, muito doentinho e membro do clero não deixou descendentes, quando morreu em 1580.
Com a morte do Cardeal, Portugal encontra-se num grave problema de sucessão. Nisto aparecem 3 netos de D. Manuel I na esperança de ocupar o lugar que “O Desejado” havia deixado vago - O trono português, meu amigo! Os pretendentes eram D. Catarina, duquesa de Bragança, D. António, Prior do Crato e D. Filipe II, rei de Espanha. D. Catarina é quase de imediato afastada por ser mulher, por isso, a disputa foi maior entre o Prior do Crato e o rei de Espanha.
D. António (filho ilegítimo de D. Luís) contava com o apoio do povo e baixo clero, por outro lado, D. Filipe tinha do seu lado o alto clero e o interesse da burguesia e nobreza em ter mais ganhos, como terras e cargos. Os dois candidatos travam a Batalha de Alcântara em que D. António e o seu magnífico exército da “Treta” são derrotados.
Finalmente, depois de tudo isto, D. Filipe convocou, HOJE, cortes em Tomar e foi aclamado, como já disse, D. Filipe I de Portugal, sendo já II de Espanha.
Ora bem, meu querido e estimado amigo, sabe-se que o novo rei “luso-castelhano” fez promessas como: manter a língua portuguesa como língua oficial, continuar a cunhar a moeda e a usar a mesma moeda, manter nos altos cargos (da justiça, Igreja, etc…) funcionários portugueses e não envolver Portugal nas guerras Espanholas. Quer dizer, este até me parece um “gajo” porreiro, mas sejamos sinceros, aquele filho dele não me parece lá “grande espingarda”. Aposto que quando ele subir ao trono vai “fingir” que não estava a par das promessas do pai, e se esse for assim imagina o próximo. E, utilizando um pouco a cabeça, quem é que achas que é estúpido o suficiente para arriscar o seu exército quando pode dispor do dos outros? Sejamos sinceros caramba, com esta “porcaria” desta monarquia dualista, a independência prometida hoje, pelo espanhol, não passará de uma ilusão. Eles vão ver que ainda me vão dar razão. Aliás, acho que os duques de Bragança têm um trunfo na manga; andam a tramar alguma!!!

Do teu amigo:
José Maria Antunes da Silva Ferreira da Costa Pereira

Nota do professor: Este texto que aqui transcrevo pertence a um interessante blog que pode ser consultado no link seguinte: http://historia8ano.blogs.sapo.pt/2009/01/?page=2

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